domingo, 27 de agosto de 2017

A arte de aprender



Este título teve inspiração a partir da experiência de um aluno de 12 anos e seu envolvimento com a arte e suas expressões.
Pollock, como será apresentado, tem Síndrome de Down, associada a Transtorno de Déficit de Atenção e Deficiência Mental leve e é aluno da rede privada de ensino no município de Palhoça, SC, e sua história foi relatada para este blog no início de agosto deste ano.
O aluno comunica-se com pequena dificuldade de pronúncia e expressa seus sentimentos e opiniões se posicionando diante de questionamentos. Pollock reconhece as letras, escreve palavras com sílabas simples e está em fase de apropriação de sílabas complexas, lê sozinho palavras de até três sílabas.
Por apresentar dificuldades na pronúncia, omitindo preposições durante a verbalização de frases, utiliza-se em sua aprendizagem, a ferramenta de voz do Google.

Imagem ilustrativa (Google) <acesso em:20/08/2017



Os professores, relatam nesta experiência vigente, que utilizam a tecnologia como elemento para despertar a curiosidade do aluno e estimular o desenvolvimento de sua fala. Quando Pollock não sabe escrever uma palavra, ou uma frase que falou não está completa, ele utiliza a pesquisa por voz do Google, assim o aluno percebe que tem que articular bem as sílabas durante sua fala, tem que falar com calma, e pronunciar todas as palavras das frases para que o Google reconheça o que ele quer comunicar.
 Para conseguir pesquisar, muitas vezes são necessárias mais de dez tentativas, porém o aluno persiste comemorando quando consegue chegar ao resultado esperado, depois que articula as palavras e/ou frases corretamente, sendo reconhecidas pelo Google, o aluno registra em seu caderno a escrita da palavra ou tema pesquisado.
Uma de suas professoras cita como exemplo, uma frase de pesquisa do aluno: “Livro cima mesa” para “O livro está em cima da mesa”.
Nota-se a importância do uso da ferramenta tecnológica na aprendizagem, além de dinamizar o aprendizado, estimula e facilita o entendimento e interação do aluno, do conteúdo e das relações que acontecem a sua volta.
O aluno também reconhece e quantifica numerais sequencialmente até 50; realiza operações de adição, subtração, multiplicação e divisão simples com uso de material concreto. Apresenta conhecimento sobre história do Brasil, geografia do país, localiza regiões em mapas, têm vasto interesse sobre plantas e animais e acompanha o ciclo de metamorfose de borboletas com entusiasmo.
O nome Pollock, é em referência ao pintor Paul Jackson Pollock, que foi um pintor norte-americano com ênfase no movimento do expressionismo abstrato, e o aluno em questão, também se expressa através da arte e pinta telas em sua escola. Em um dos trechos do filme Pollock (2000), o pintor afirma:

“Não trabalho a partir de desenhos ou esboços em cores. Minha pintura é direta. (...) O método de pintar é o resultado natural de uma necessidade. Quero expressar meus sentimentos, e não ilustrá-los. A técnica é apenas um meio de chegar a uma declaração. Quando estou pintando, tenho uma ideia geral do que estou fazendo. Posso controlar o fluxo da pintura: não há acidentes, assim como não há começo nem fim”.

E assim, acontece com este aluno, segurando a tela e decidindo para que lado a tinta escorre, ele cria e se expressa, crescendo e aprendendo com a sensibilidade da arte e as tecnologias que auxiliam na sua aprendizagem e comunicação com o mundo.

Imagem ilustrativa (Google) <acesso em:20/08/2017>




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